sábado, 5 de novembro de 2016

Esparregado de Repolho | Bimby

Durante todo o ano há sempre alguém que me dá legumes, fruta, carne... Ou é a minha mãe, ou a minha tia Lucinda, ou o meu irmão, enfim.
Mas, a comida começa a sobrar porque não consigo comer tudo à velocidade que me dão!
Logo, começo a inventar porque estragar comida nunca fez parte da minha rotina.
Na minha casa nada se estraga, tudo se transforma :-)
Desta vez tinha couves a mais e já estava farta de fazer sopa ou couve salteada.
Como adoro esparregado, pesquisei e inventei esparregado de repolho. Parece estranho e mau, mas é óptimo e vou partilhar a receita para quem também gosta.


Ingredientes
400 g Repolho 
3 dentes Alho 
60 g Farinha 
40 g Azeite 
200 g Leite 
q.b. Sal
1 l Água 


Como fazer
- Lave o repolho e corte aos pedaços
- Coloque no copo o repolho cortado, junte 1 l de água. Coza durante 8 min., temp. 100, vel. 1. No final escorra e reserve.
- Coloque os alhos descascados no copo, pique. Junte o azeite e programe 4 min., temp. Varoma, vel. 2
- Adicione o repolho reservado e programe 3 min., temp. Varoma, vel. 2
- Junte a farinha, o leite e o sal. Triture 20 seg., vel. 6. Programe 7 min., temp. 100, vel. 2
- Coloque num pirex e deixe arrefecer.


É fácil, rápido e aproveitam-se as couves que temos por casa a sobrar. Também se pode fazer com couve lombarda.

http://www.mundodereceitasbimby.com.pt/acompanhamentos-receitas/esparregado-de-repolho/05s66zu2-bafd1-182475-cfcd2-2qe4awx2


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

...para aqueles que foram e para os que ficam...

Quando alguém morre mais cedo que o suposto (90 e tal anos a dormir), toda a gente aclama: "Coitadinho, foi tão cedo, não merecia. Isto foi um abre olhos para que eu aproveite melhor a vida!".
Olha que merda! Para estas pessoas que continuam a viver era preciso alguém morrer cedo todos os anos para que aproveitassem melhor a vida?!
Este "abre olhos" devia acontecer internamente, quando reparamos que estamos tristes há demasiado tempo, que trabalhamos em algo que não gostamos há demasiado tempo, que vivemos naquela casa que não gostamos e nada fazemos para mudar há demasiado tempo.
Mas estamos todos tão entretidos com os pokemons da vida, com joguinhos online, conversas de messenger e cagadas de programas de TV, que não temos a capacidade de sermos felizes com o próximo, que às vezes é nosso vizinho?!
Melhor ainda é estar à espera que os outros morram para recebermos a herança. Olha que maravilha!
Aqueles que passaram a vida a trabalhar, que somos quase todos e que merecem o melhor tratamento e recuperação possível, merecem ter outros a quererem que vamos para o lado dos espíritos mais cedo só porque têm o IMI para pagar ou a creche que não pára de aumentar?!
Felizmente, ainda existem aqueles que fazem tudo pelo outro sem estar à espera de recompensa.
Pelos que foram, pelos que ficam, sejamos um pouco melhores, um pouco menos egocêntricos e vivamos com consciência que a morte é certa e que enquanto tivermos saúde temos que aproveitar todos os momentos para sermos felizes e fazermos os outros felizes.

PS: para os demais que me questionaram incessantemente porque tinha parado de escrever, só vos digo que por vezes as críticas destrutivas destroem mesmo.... durante algum tempo.

Ass.: Dora Sintra

sábado, 4 de junho de 2016

PORTO, Portugal

Porto, cidade no norte de Portugal, uma cidade cheia de pormenores e vida para fotografar. Um sem fim de imagens impossíveis de capturar ao mesmo tempo.
Adoro cidades cheias de cor e autenticidade que nos paralisam e alienam da realidade, tal é a panóplia de fotografias que podemos tirar sem sair do mesmo sítio.

Esta cidade pode ser visitada facilmente. Tem transportes para todo o lado, é segura, tem restaurantes óptimos e pessoas bastante afáveis, disponíveis e espontâneas.




Ass.: Dora Sintra



sábado, 28 de maio de 2016

Bolo de Banana #bimby

Andava com falta de um docinho e resolvi fazer um bolo com o que tinha em casa.
Como não costumo comer doces e só sinto falta quando já estou a entrar em hipoglicemia, faço quase sempre bolos ou sobremesas pouco doces.
Portanto, aqui vai uma receita pouco doce e inventada tendo em conta outras receitas do Mundo de Receitas Bimby:
http://www.mundodereceitasbimby.com.pt/bolos-e-biscoitos-receitas/bolo-de-banana/339170
INGREDIENTES

  • 3 bananas médias, maduras
  • 1 chávena açúcar
  • 2 ovos
  • 0,5 chávena óleo
  • 1 chávena farinha
  • 1 c. chá fermento
  • canela
COMO SE FAZ
. Ligue o forno a 180º
. Coloque as bananas e o açúcar no Tampa fechada. Programe 1 min./ vel. 5
. Junte os ovos e o óleo. Programe 1 min./ vel. 5
. Junte a farinha e o fermento. Programe 1 min./ vel. 4
. Coloque a massa numa forma untada de margarina e polvilhada de farinha.
. Leve ao forno durante 40 min.
. Retire do forno, deixe arrefecer e polvilhe com canela.


Ass.: Dora Sintra.

sábado, 21 de maio de 2016

Como é que te chamas? FALIDA

Numa das tardes desta semana que passou, fui ver a montra da loja como sempre faço. 
Gosto de olhar para as grandes janelas onde se expõem os produtos das formas mais atractivas para cativar os clientes a entrar na loja. Também aproveito para apanhar ar/ pó da rua, invés do AC sempre ligado.
Enquanto mirava o que já conheço e dispus da forma que melhor sei, um rapazito com uns 25 anos, sem dentes, mas com a cara muito simpática aproximou-se. Como era alto e encorpado os meus "amigos" de rua debitaram logo um: "madrinha está tudo bem?", ao qual eu respondi que por enquanto sim.
O rapazito, novo naquelas bandas perguntou-me: "como te chamas madrinha?". Eu respondi sinceramente: "Falida, o meu nome é Falida".
Ele como não tinha dentes, perguntou-me novamente: "Não entendi madrinha, tu chamas-te Flida? Flipa, Felida?".
Eu expliquei-lhe o porquê do meu nome sui generis. Quando cheguei a Luanda a primeira vez e me davam pocket money em dólares, trocava-se na rua 1 dólar por 100 Akz. Na altura ainda tinha direito a ajudas de fim-de-semana. 
Actualmente, o "pilim" vem em Akz e com o câmbio actual de rua são necessários 500 Akz para comprar 1 dólar. Foi o que ouvi dizer porque é proibido comprar divisas na rua...
Ora, o Kwanza está tão desvalorizado que a actual mesada para comer e supostamente viver, não chega nem a meio do mês. Pois... por isso lhe disse que o meu nome é Falida.
Quando há 4 anos vivia bem e normalmente, sem grandes abusos, mas bem, actualmente não tenho dinheiro suficiente para chegar ao final do mês.
No meu país sempre tive as minhas contas muito bem geridas e sempre vivi e sobrevivi muito bem. Mas, actualmente, até no meu país tenho que ter cuidado com as despesas e conter-me para não gastar em coisas supérfluas e viagens que tanto gosto.
Pois, a par do Kwanza estar bastante desvalorizado, os bancos também não têm divisas para que sejam possíveis as transferências de ordenado acontecerem. 
Resumindo, não tenho Kwanzas cá e não tenho Euros lá. Lá, onde eu quero gastar quando for de férias. Lá, onde eu quero ficar sempre que lá ponho os pés. Lá, onde já fui feliz e tive que sair por não haver euros e trabalho para mim. Enfim...
Pelo menos o que esta terra me ensinou foi a esperar, esperar muito que as coisas acontecessem. Espero tanto que qualquer dia desespero. 
Ora, como não tenho Akz cá, como é que vivo? Exacto! Vou trocando com colegas Akz por euros em Portugal. Sim, estou a gastar do meu ordenado que não recebo há quase 4 meses, ou melhor, estou a gastar das minhas poupanças.
A vida num país em crise não é fácil, mas acreditem que viver num país estrangeiro em crise ainda é pior. Vou contando os dias, os meses até me fartar de vez...
Um dia será o dia e nesse dia eu brindarei de felicidade.


Ass.: Dora Sintra.


domingo, 15 de maio de 2016

Adopção... um dia.

"Mamã, hoje vais trazer comida ou vais dar 100 akz?" - estas são as palavras que ouvia todos os dias quando passava pelo humilde Adilson a caminho do almoço.
O Adilson tem 8 anos, com corpo de 5. É um menino muito giro, perfeitinho, pequenino, com voz de bebé e angolano. Um dos dias que passei para almoçar, ele não estava no sítio do costume a engraxar e limpar o pó dos sapatos dos transeuntes... estranhei, fiquei preocupada e perguntei a um colega de profissão dele, o "Paizinho", o que lhe tinha acontecido. O Paizinho lá disse que na noite anterior devia ter apanhado tanto do próprio pai que provavelmente não iria aparecer no "trabalho" tão cedo, ou simplesmente estaria doente.
Fiquei a pensar no pequeno Adilson, que nomeei como o meu Pedrinho antes de saber o nome dele, esperei que ele estivesse a ser tratado pela mãe que também não queria saber dele, ou algum irmão que tivesse pena dele e não o deixasse desamparado.



Nunca mais o vi, o meu Pedrinho, aquele menino que se pudesse levava-o para casa, dava-lhe um banho, proporcionava-lhe um óptimo repasto e vestia-o com roupa confortável e limpa... para sempre.
Como o Pedrinho, existem muitos meninos que têm pais, têm casa (algumas de lata), têm profissão como engraxadores, raramente vão à escola e comem quando têm a sorte de ter dinheiro para tal.
Aquele menino que eu chamava todos os dias de filho desapareceu. Fiquei triste. Deu-me a leve ilusão de cuidar de uma criança, quando tantas outras precisam também.
De qualquer maneira, tenho consciência que não posso nem consigo sequer ajudar todos os meninos do Mundo, tal como queria.
Quando conheci pela primeira vez o Pedrinho tive vontade de o adoptar, outra questão estranhamente difícil. Devido a esse facto, perguntei ao Paizinho se ele tinha família e se ía à escola, qual a vida dele. Daí é que me apercebi, não sei se é verdade ou não, que o Pedrinho era mais uma criança sozinha, com pais ausentes e quando apareciam era para o agredir, aquele menino tão querido, tão fofinho.
Infelizmente, para adoptar uma criança, seja no próprio país ou noutro, é sempre muito difícil, ou quase impossível pelo tempo de espera. Num país que não é o meu, teria de pedir autorizações a mil mundos e.. aos pais... 
Sendo emigrante, num país em crise, os planos para ficar nesse país são inconstantes, ficamos mais um ano? ou ficamos mais uns meses, ou teremos de fazer as malas repentinamente e voltar para o país de origem.
Perante esta realidade, por muita vontade que tenha de adoptar o Pedrinho, qual o tipo de vida lhe posso proporcionar? Uma vida a viajar por países que ainda não estão em crise? Qual a educação que lhe posso dar? Qual o conforto que lhe posso oferecer? Após responder a estas lixadas questões, a resposta é sempre uma, não tenho condições para adoptar uma criança.

Sei que por enquanto não vou poder adoptar, mas sei que um dia, um dia, eu voltarei e levarei um Pedrinho comigo que precise de mim e queira ser cuidado por mim. Não importa somente nós querermos cuidar da criança, o inverso também tem de acontecer.
Ou simplesmente, adoptarei no meu país, onde os processos de espera estarão mais leves e fáceis, espero eu.

Ass.: Dora Sintra.




sábado, 19 de dezembro de 2015

"Está quase", já diz a minha mãe há semanas!

A ansiedade já se instalou há dias...
Um emaranhado de papéis em cima da secretária para deixar tudo organizado para o ano que vem. Reuniões desmarcadas à última hora para serem utopicamente remarcadas para a semana que vem, "não posso sr. porque já vou estar de férias, agora só para o ano que vem. Feliz Natal, sim?!", são as repostas a fornecedores e clientes.
Entre papelada, discos externos e arrumações de portáteis e acessórios, lá se vem para casa esperar o dia tão ansiado, o da viagem para "casa".
Espera-se e acumulam-se planos para estar com os amigos, família espalhada pelo país de Norte a Sul, fazer compras e tentar descansar ao máximo. 
Aquele filme que já nos falaram ser giro e está no cinema há semanas, tem de estar ainda em cena, por favorrrr. Aquela promoção que vi na net de roupa mais fresca tem de estar na loja ainda por favorrrr, tudo tem de estar como estava.. Mas não está.
Desde que saí do meu querido Portugal, já o governo mudou, a minha família mudou, os meus amigos têm novidades acumuladas para debitar em catadupa num encontro que iremos de ter..enfim, tudo muda, tudo mudou.
Enquanto espero vejo as últimas notícias onde já se anuncia a todo o minuto as chegadas de emigrantes a "casa". Os choros, os abraços e as alegrias que vou ter e ver quando for a minha vez! "Está quase", diz a minha mami há semanas. Pois está mami, está quase. O papi não diz nada, só sente :-)
A espera é feita de petiscos em casa, filmes repetidos na televisão e música alta na rua. Sim, a música na rua já prolifera em todos os cantos e entra pela casa de todos sem pedirmos. A festa já começou e só vai acabar no início do ano. Mesmo que não se goste, temos de a ouvir, porque cá ouve-se a música bem alta. Gostava que ao menos me perguntassem se queria ouvir música e que tipo de música gostava de ouvir. Era tão bom que um dia isso acontecesse. Iria responder: "Manos, gosto de ópera, de fado, de algum rock e pop, mas CERTAMENTE não gosto de barulho e música destorcida pelas vossas colunas. Mas.. enfim.. 
Mas, quem sou eu para criticar seja o que for? Quando estou a escrever ouço sempre alguém ao meu lado, "estás a escrever amor? Muito medo". Hehehe! Eu até ando calma e com tento na língua. Ai se eu pudesse escrever o que me vai cá dentro! Um dia escrevo...um dia.
Enquanto escrevo vou acalmando a ânsia.. mas se estou a escrever sobre o assunto que me provoca ansiedade como é que eu vou acalmar? Ahaha!
Vou falando com os amigos que ainda cá estão e esperamos juntos e separados pelo dia tão ansiado, o dia da viagem. 
Está quase mami e papi e irmão, sobrinhos, amigos.....

Ass.: Dora Sintra.