segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O retorno a "casa". Vida de expatriado.

Hoje não é mesmo um dia feliz. 
Mais um colega a regressar a "casa", ou melhor ao país de origem. Desta vez foi Uma colega. 
Já lá foi o tempo, quando a minha geração foi educada por pais casados (a maioria), a fazer a escolaridade toda até finalizar a faculdade. Depois disso era certo que nos casávamos com algum colega ou amigo, comprávamos casa, comprávamos carro, tínhamos um emprego certo, tínhamos filhos e depois éramos felizes com as viagens anuais nas férias de Agosto. Apetece-me dizer uma asneira para mostrar o que eu acho disto! (os meus pais fizeram o melhor que podiam).
Mas, quem sou eu para criticar seja o que for... não casei, não tenho filhos, já passei dos 30 e faço umas quantas viagens por ano. Mas ainda tenho opinião! 
Mas voltando à questão principal e esquecendo um bocado a revolta que hoje sinto...
Uns emigram por necessidade financeira, outros por necessidade de aprendizagem, outros simplesmente porque lhes apetece. Felizmente, eu emigrei porque me apeteceu e quis aprender com um Mundo ainda desconhecido para mim.
Já conheci muitas nacionalidades, alguns países e quero continuar, mas cada vez mais quando volto ao meu querido Portugal, me sinto menos em "casa".
Tantas pessoas já me criticaram por sequer pensar assim. Mas, quanto mais conheço o Mundo, mais tenho vontade de viajar. 
Adoro chegar ao meu país e ter o meu canto, decorado com o Mundo, sentir o abraço da minha família, dos meus sobrinhos, dos meus amigos... comer e beber, passear, usufruir do que mais gosto. Mas, ao fim de algum tempo já estou em pulgas para ir para outro país conhecer outros costumes, outras arquitecturas, outras gentes, outros cheiros, outras paisagens... 
Já vi tantos colegas a voltarem à origem e por lá ficarem... porque o objectivo deles era mesmo esse, ganhar dinheiro noutro país e gasta-lo em "casa". O meu objectivo é mesmo gastar em viagens e no Mundo!
Se algum dia tiver um filho vou educá-lo para ser nómade :-) Vai fazer todos os erasmus possíveis, começar a viajar em tenra idade e absorver o que o Mundo tem de lindo. Como não sei se vou ter filhos, já comecei a incutir o espírito nos meus sobrinhos :-)
Mas a minha revolta de hoje não sei se é de me sentir cada vez mais sozinha noutro país, ou se é de não ter coragem para ir embora também. Vou esperar até que a minha cabeça e coração me digam.
A todos os colegas que já foram embora e os que estão quase a ir, o meu até já, porque a caminho de algum lugar nos vamos encontrar, nem que seja em "casa"...



Ass.: Dora Sintra.




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